Common is Boring...
“No fundo, meu conhecimento de mim mesmo é obscuro, interior, informulado e secreto como uma cumplicidade”

theme por: cerejadosundae detalhes originais e inspirações de: diariodabarbie, inspirado nos themes da E-n-s-e-j-o-s. Não copie ou eu te mato, nem remova esta tag.

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A felicidade está nos fundos de uma padaria…

Estava relutante em fazer o “post do Natal”, até o momento em que vi um grupo de crianças (que, aliás, vejo sempre que chego mais cedo quase nunca da “dura jornada de estudante universitário”…) adentrando as dependências de uma panificadora aqui perto de casa, não pela porta da frente, mas pela porta dos fundos, onde se descartam os produtos que não servem para os distintos “clientes pagantes”…

Estava de saída, com a minha mãe (hoje fui motorista particular dela), para buscar umas encomendas para a “ceia em família”, quando começou a chover muito fortemente. A chuva estava tão forte, que mal conseguia enxergar o caminho que percorríamos. Enquanto dirigia, não parava de pensar: “puxa, é Natal e estão todos tão ocupados brincando de viver o ‘amor universal’, cheios de lindas mensagens, palavras de salvação, arrependimentos e perdão para dar…” Desculpem-me, mas eu não acredito que o “espírito natalino” tenha tanta força, assim, para mover o mundo da noite pro dia. Fui criada em meio a uma família religiosa (tio padre, tias beatas, colégio de freiras), mas sou “atéia de nascimento” (por favor, não me ofereçam “salvação”, obrigada), e embora eu faça parte da minoria que nega a existência de um ser divino (qualquer que seja ele), para mim Jesus foi “O CARA”! Não me importa se ele nasceu no dia 25 de dezembro, 02 de agosto, ou qualquer outro dia, o importante é que ele tenha vindo a esse mundo, e a bela mensagem de paz e amor universais que ele pregou durante sua passagem pela Terra. Lamento, sim, que a maioria das pessoas lembre desse grande homem e dos seus ensinamentos, apenas em momentos pontuais a cada ano, Páscoa e Natal (ou, ainda, quando estão vivenciando um período de grande dificuldade para o ser humano comum).

Vivemos em uma época, em que as pessoas se distinguem entre as que têm dinheiro, e as que não têm… A sociedade capitalista moldou os homens de tal modo que para a maioria deles não importam as boas ações, os bons sentimentos, mas sim o que você pode adquirir com o seu crédito bancário (whatever). A inversão de valores é tão absurda que “ir às compras” é quase sinônimo de “felicidade”. E, ainda assim, são muitos os que sorriem “da boca para fora”, enquanto seus corações choram um vazio que não sabem de onde vem, um vazio que, na verdade, não deveria existir, afinal, não lhes falta nada, não é mesmo? Aguardo o dia em que verei as pessoas sentirem mais, amarem mais e melhor, independente da época do ano em que estão. Quero ver mais do que mensagens de amor e paz, quero ações de amor e paz, e um mundo melhor para viver.  

Bem, eu não esqueci das crianças da padaria, nem vou esquecer, e (voltando a elas) quando voltava para casa com a minha mãe, estavam indo embora com seu carrinho cheio de não-sei-o-quê, que conseguiram da visita aos fundos da panificadora. A chuva havia passado, o Sol já brilhava novamente, no céu das 16.30h, e as crianças tomavam seu caminho de volta, sorrindo.  Parei o carro e (diferente de como costumo agir – sou ultra anti-social) perguntei-lhes se poderia ajudá-los de alguma maneira. O menino dos cabelos castanhos e lisos olhou, e disse: “Não, moça, ‘brigado. Conseguimos muita coisa” – e sorriu “de dentro pra fora”. Desejei-lhes “Feliz Natal”, eles retribuíram os votos em coro – “Feliz Natal” – e continuaram andando.

Nunca pensei que os fundos de uma padaria teriam “muita coisa” a oferecer. Pedacinhos de felicidade podem estar nos lugares mais inusitados, ou no sorriso mais doce de uma criança feliz.  

Feliz Natal a todos.

24/12/2011 às 4:53pm • 0 notesreblogue